vista de cima de uma leitora folheando um livro aberto, cercada de livros espalhados pelo chão de taco

manifesto
contra o
desbotamento

eu lembro de um elástico no pulso. o cabelo preso no alto da cabeça, meio torto. a estante da minha avó, alta demais, cheirando a pó e papel amarelado. eu sentada no chão, bochecha quente, um livro aberto no colo e o mundo inteiro cabendo ali.

aí eu cresci, e aposto que você também. o cabelo continua preso, agora pra dar conta do e-mail, da reunião, da conta pra pagar. scroll, scroll, scroll. a notícia antes do café, o vídeo de trinta segundos que vira quarenta minutos, o nome daquela autora que estava na ponta da língua e sumiu. scroll. a impressão de que a gente já soube pensar melhor. scroll. o livro na cabeceira, marcado na mesma página há três meses.

e a gente vai desbotando. lava, lava, lava, até ficar da cor da cidade: cinza de prédio, cinza de tela, cinza de dia que passou sem ninguém notar. tudo tão digital, tão artificial.

e um dia acende.

lindo, assombroso, incômodo. uma frase que corta, outra que derrete na boca, uma página que cheira a terra molhada, um quadro que encara de volta. o pelo arrepia, o olho brilha, e a cor volta pra bochecha.

contemplo nasce pra isso. ler devagar. ler de novo. ler e conversar sobre o que ficou, puxando o fio que liga o romance à filosofia, a filosofia ao cinema, o cinema à vida aqui fora.

a gente começa pela literatura porque um livro abre portas e mundos. do outro lado tem pensamento mais afiado, palavra nova pra coisa antiga, aquele nome que tinha sumido da ponta da língua, a beleza que estava ali o tempo todo esperando alguém olhar.

contemplar é se deixar acender, um pouco por dia.

prende o cabelo.a próxima página é sua.

Jéssica Verona rindo, sentada num sofá, com uma caneca na mão

prazer, Jess

sou Jéssica Verona, criei o Contemplo e faço a curadoria de cada leitura. sou estrategista de marca formada pela USP e pós-graduanda em literatura, arte e filosofia. sócia da Floema, um escritório de palavra e identidade, investigo há mais de 10 anos como a linguagem e o repertório moldam nossa percepção do mundo. acredito que a beleza é também uma maneira de pensar: um exercício de atenção, sensibilidade e descoberta. o Contemplo nasce desse encontro entre livros, arte, cultura e pensamento. um projeto de curadoria cultural que entende a leitura como uma prática de atenção ao mundo e que busca abrir novas possibilidades de interpretação a cada encontro. desde janeiro de 2026, conduzo os encontros do clube, e foi nessa experiência que percebi, na prática, o quanto um livro pode nos levar mais longe quando abrimos espaço para tudo o que existe ao redor dele.

instagram / linkedin / substack

o que lemos em 2026

cada livro abriu uma janela para outro universo. aqui estão as leituras que fizeram parte da nossa história.

janeiro

bandeira de BélgicaBélgica
capa de eu que nunca conheci os homens

eu que nunca conheci os homens

Jacqueline Harpman

fevereiro

bandeira de IrlandaIrlanda
capa de pequenas coisas como estas

pequenas coisas como estas

Claire Keegan

março

bandeira de EspanhaEspanha
capa de mau hábito

mau hábito

Alana S. Portero

abril

bandeira de BrasilBrasil
capa de corsária

corsária

Marilene Felinto

maio

bandeira de BrasilBrasil
capa de como se fosse um monstro

como se fosse um monstro

Fabiane Guimarães

junho

bandeira de MoldáviaMoldávia
capa de o verão em que mamãe teve olhos verdes

o verão em que mamãe teve olhos verdes

Tatiana Țîbuleac

junho extra

bandeira de Coreia do SulCoreia do Sul
capa de más companhias

más companhias

Ancco

julho

bandeira de NigériaNigéria
capa de cidadã de segunda classe

cidadã de segunda classe

Buchi Emecheta

agosto

bandeira de NigériaNigéria
capa de no fundo do poço

no fundo do poço

Buchi Emecheta

setembro

bandeira de BrasilBrasil
capa de a falência

a falência

Júlia Lopes de Almeida

outubro

bandeira de ArgentinaArgentina
capa de o bom mal

o bom mal

Samanta Schweblin

novembro

bandeira de CanadáCanadá
capa de um estudo da obediência

um estudo da obediência

Sarah Bernstein

dezembro

bandeira de ArgentinaArgentina
capa de os sorrentinos

os sorrentinos

Virginia Higa

mãos arrumando pilhas de livros coloridos no chão de taco

vem ler com a gente

assinar